Dossiê: Copa para quem e para quê? Olhares sobre o legado do mundial no Brasil

Comunidade Metrô Mangueira.Comunidade Metrô Mangueira.

Sediar o mundial da Fifa faz com que o país que a recebe tenha atenção do mundo inteiro e a promessa de ganhos sociais e econômicos, embalados no clima mágico da emoção do futebol. Mas pela primeira vez na história, o que se vê é uma grande onda de questionamentos sobre os significados reais de um megaevento internacional para a população que o recebe. Buscando refletir sobre esses sentidos, unidos ao já lema “Copa pra quem?,” a Fundação Heinrich Böll convidou jornalistas e especialistas para reunirem suas análises em um dossiê.  Assim, reportagens, artigos, mapas, fotos e vídeos mostram como as ações da Fifa, dos governos e das empresas patrocinadoras estão mercantilizando cada vez mais os espaços públicos usando a justificativa de benefícios futuros para os brasileiros que receberão a Copa.

Parte do artigos mostram que teremos a Copa mais cara de todos os tempos: cerca de 85% dos custos serão arcados pelos cofres públicos, na direção contrária do que o ex presidente Lula afirmou, quando disse que tudo seria “bancado” pela iniciativa privada. Os preparativos para o mundial também influenciaram a já grave questão habitacional no Brasil, pois os grandes projetos oficialmente ligados a mobilidade urbana, muitos deles ainda inacabados, estão trazendo como consequência a remoção de cerca de 200.000 pessoas, segundo dados da Ancop (Articulação Nacional de Comitês Populares da Copa).  Os regimes legislativos de exceção e uma escalada de militarização que entende protesto como crime também fazem parte dos elementos desse conjunto de artigos que buscam analisar o contexto da aposta dos megaeventos e megaemprendimentos como peças essenciais da atual aposta de modelo de desenvolvimento do país.  

Esse webdossiê foi idealizado para um público internacional, assim já está online em alemão e estará em breve em inglês. Mas acreditamos que mesmo pensada dessa forma, as análises também acrescentam relevantes dados e reflexões para brasileiros que buscam perspectivas críticas sobre a realidade e posições que fortaleçam a busca pela garantia de direitos. 

Vídeos

Assista os depoimentos de participantes do Encontro dos Atingidos, promovido pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, sobre as questões ligadas às cidades sede do mundial de futebol. 

O vídeo ‘No, I’m not going to world cup’ (Não, eu não vou à Copa do Mundo), de Carla Dauden, uma brasileira de 23 que mora em Los Angeles (EUA) virou febre na internet, com quatro milhões de acessos.

O vídeo questiona o legado da Copa, o gasto excessivo com as obras as remoções forçadas, a precariedade do sistema de saúde e a brutalidade policial.

Em junho de 2013 quando aconteceram as grandes manifestações no Brasil, Carla postou um novo vídeo ‘Yes, you can still go to the World Cup – If” (Sim, você ainda pode ir para a Copa do Mundo - Se). Neste vídeo Carla continua a fazer críticas, condicionando a ida ao Brasil a questionamentos quanto à Fifa e ao governo brasileiro.

Economia e a Copa do Mundo

Copa para quem? Gastos da Copa do Mundo 2014

A Copa do Mundo da Fifa no Brasil será a mais cara da história. A previsão inicial de R$ 10 bilhões mais que dobrou e até agora chega a cerca de R$ 25 bilhões, podendo aumentar ainda mais, pois várias das obras ainda não foram finalizadas. Propalada pelo governo brasileiro e pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como aquela que seria a Copa da iniciativa privada, apenas 20% dos recursos estão sendo cobertos por empresas privadas.

A animação “Veja como o Brasil se prepara para a Copa”, da ONG norte-americana Witness, faz parte de uma campanha contra remoções forçadas e mostra de forma crítica como governos e empresários desrespeitam o direito à moradia.

Vídeo

Em Janeiro de 2011, Elisângela Sena, moradora do morro Pavão-Pavãozinho no Rio de Janeiro teve sua casa demolida. O minidoc “O Legado Somos Nós: A História de Elisângela mostra mais um caso de remoção forçada na cidade, ligado direta ou indiretamente com a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Sem indenização ou um reassentamento, Elisangela perdeu emprego e a convivência com a filha. 

A Copa e Mulheres

Fortaleza, Recife e Salvador – as cidades que receberão a Alemanha

Expediente

#copapraquem?

Editores:
Dawid Bartelt, Marilene de Paula e Manoela Vianna

Assistentes de edição:
Julia Ziesche, Karina Merencio, Lando Dämmer e Mara Natterer

Tradução:
Kristina Michahelles

Suporte Web:
FW2 Agência Digital