Mulheres na política

Mulheres na política

Dia Internacional de Luta das Mulheres #8M - 08/03/2018 - Brasília (DF)

Editorial

O espaço da política, principalmente de tomada de decisão, precisa ser ocupado cada vez mais por mulheres. Os movimentos de mulheres, feministas, artistas e lideranças políticas há muito repetem essa afirmação como uma resposta a um Congresso majoritariamente ocupado por homens (em sua maioria de meia-idade, heterossexuais e brancos). Mas o que a sociedade ganharia com um Congresso mais igualitário e inclusivo? A maior representatividade de minorias nas casas legislativas pode garantir políticas mais efetivas para esses grupos, o que seria um ganho para toda a sociedade. 


Vivemos um momento de vigor do feminismo, por isso não é surpresa os discursos de ódio nos últimos anos que tentam abafar as vozes das mulheres. Também não surpreende setores da sociedade insistirem que a falta de mulheres na política é uma questão de vocação e usarem a política de cota para mulheres nos partidos para fins ilícitos. Definitivamente há ainda um longo caminho, mas alguns avanços aconteceram: O Brasil instituiu o crime de feminicídio como lei em 2015 e a Lei Maria da Penha completou 12 anos. Mais mulheres vem a público denunciar seus agressores, o que prova que anos de atuação de movimentos sociais, ONGs, Estado, grupos de apoio, a sororidade entre as mulheres, estão fazendo efeito. 


Durante o mês de março a Fundação Heinrich Böll lançará uma série de artigos, vídeos e infográficos enfocando processos políticos no Brasil e em alguns países nos quais a Fundação atua, que tratam de como as mulheres têm respondido aos desafios da política. O dossiê propõe uma reflexão sobre caminhos possíveis para que possamos ver mais mulheres na política e engajadas com a defesa de direitos. Boa leitura! 

 

Foto: Dia Internacional de Luta das Mulheres #8M - 08/03/2018 - Brasília (DF) - Mídia Ninja CC BY-NC-SA 2.0

 

Participação política das mulheres brasileiras

Depois das eleições

As mulheres são 52% da população, 52,5% do eleitorado e quase metade das filiadas a partidos políticos, mas são menos de 15% dos representantes, o que nos coloca em 157º lugar no ranking da Inter-Parliamentary Union, composto por 196 países.
As riquíssimas plataformas e demandas dos movimentos negros, feministas e LGBTs foram completamente negligenciadas. Portanto, trata-se de momento fundamental para nossa articulação e atuação.
CFEMEA

Eleições 2018: um novo golpe contra as mulheres

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A sub-representação das mulheres se aprofundou, o que torna o Brasil um caso alarmante quando comparado com o resto do mundo: as mulheres são 52% da população, 52,5% do eleitorado e quase metade das filiadas a partidos políticos, mas são menos de 15% dos representantes, o que nos coloca em 157º lugar no ranking da Inter-Parliamentary Union, composto por 196 países. Foto: Mídia Ninja / CC BY-NC-SA 2.0

Gênero e política: Um relato sobre checagem de fatos e notícias nas eleições 2018

Nas últimas eleições um grupo de jornalistas independentes criaram a Eté Checagem a partir da percepção de que muitas pautas vinculadas aos direitos humanos, mulheres, população LGBTQ+, juventude e negritude se tornaram alvos preferenciais das fake news. No tupi, Eté significa verdade, verdadeiro e a Eté Checagem é a primeira agência de checagem especializada nessas temáticas do Brasil. Foto: Renata Costa / Mídia Ninja  CC-BY-NC-SA 2.0

por Leila Leal, Viviane Tavares, Mariana Medeiros
A experiência de checagem sobre pautas de gênero no período eleitoral acentuou nossa percepção acerca dos obstáculos ainda colocados de maneira incisiva para a atuação, a inserção e o protagonismo de mulheres na política nacional, seja institucional ou vinculada a movimentos sociais.
Eté Checagem

Julia Rensi conversa sobre o Mapa das Mina. Com outras ativistas a estudante da UERJ fundou esta plataforma para alavancar as candidaturas das mulheres no estado do Rio de Janeiro.

A partir do momento que tivermos mulheres, pessoas LGBTs e negros no espaço de poder iremos conseguir nos ver representados na política.

Mulher vota em mulher?

No podcast "Maria, vai com as outras" da Revista Piauí a apresentadora Bianca Vianna analisa a situação de mulheres no mercado de trabalho brasileiro. Neste episódio, Vianna conversa com as vereadoras Talíria Petrone e Patrícia Bezerra, e a senadora Kátia Abreu  sobre a presença feminina na política e respondem à pergunta: mulher vota em mulher?

Marielle, presente!

14/02/2019 Hoje faz um ano que Marielle Franco, vereadora, negra, mulher, lésbica e defensora de direitos humanos foi assassinada no Rio de Janeiro, junto com seu motorista Anderson Gomes. Marielle Franco representava mais de 46 mil eleitores, a luta antirracista, a causa da igualdade de gênero e a busca por direitos das populações das áreas periféricas da cidade, regiões que historicamente sofrem com o descaso do Estado, violência policial, de grupos armados e milícias. A Fundação Heinrich Böll trabalha pelo fortalecimento da democracia e pela garantia de direitos, temas pelos quais Marielle se empenhava diariamente. Hoje nossa equipe no Brasil e em nossa sede na Alemanha reforça o pedido de justiça para o caso, que além de uma tragédia para familiares e amigos, foi um atentado aos valores da democracia. Reafirmamos também nosso apoio para todas e todos defensores de direitos humanos que dedicam suas vidas por uma sociedade mais justa. 
#justiçaparaMarielleeAnderson #Mariellepresente #Andersonpresente

Foto: Mídia Ninja / CC BY-NC-SA 2.0

A poetisa Jordana Tostes recita um poema autoral no Protesto 'Marielle, presente', inspirado no caso de Marielle Franco – vereadora representante de mulheres, negras, periféricas, e defensora dos Direitos Humanos. Assassinada no dia 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.

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Panorama internacional: mulheres na política

Política exterior feminista

De todas as nações do mundo, só 17 países são liderados por mulheres. Os países com a maior proporção de mulheres no parlamento são Ruanda, Bolívia e Cuba.
archive.ipu.org

Uma paz feminista?

Uma paz feminista na Colômbia?

O acordo de paz da Colômbia é reconhecido internacionalmente como o mais inclusivo da história. O artigo apresenta qual foi o papel das mulheres neste caso, destacando a importância de aplicar uma perspectiva de gênero nas negociações de paz, que historicamente criam programas de reintegração que ignoram as necessidades, capacidades e realidades das mulheres. Foto: McKay Savage / CC-BY 2.0

A paz avança com as mulheres

O grupo de trabalho GPaz publicou um analise das dimensões feministas no processo de paz da Colômbia. Confira o documento na íntegra aqui.

Perspectivas feministas do continente africano

Essas não eram apenas palavras de campanha política, as mulheres estavam 'falando sério!' e acreditavam firmemente que a esperança de progresso da comunidade estava nas mãos da liderança de uma mulher.
Jacinta Victoria S. Muinde

Mulheres Digo, patriarcado e eleições na costa sul do Quênia

Jacinta Victoria S. Muinde conversa com Mariamu, líder local do movimento Maendeleo ya Wanawake em sua comunidade nas eleições de 1997 no Quênia. Ela conta sobre as mulheres Digo na costa sul queniana, que participam cada vez mais do panorama político. Mariamu parte do contexto dos anos 1990 e mostra como até as eleições em 2017 se abriram mais espaços para as mulheres exercerem sua autonomia sobre as relações sociais, econômicas e políticas. Foto: Heinrich Böll Stiftung Nairobi / CC BY-NC-ND 2.0

Editoria geral: Annette von SchönfeldMarilene de Paula, Manoela ViannaGabriela PingarilhoMoana Skambraks

Redação: Gabriela Pingarilho, Manoela Vianna, Moana Skambraks

Webdesign: Moana Skambraks

Identidade Visual: Gabriela Pingarilho

Pesquisa: Gabriela Pingarilho, Moana Skambraks

Tradução: Grupo Primacy

Videos: Instituto Raízes em Movimento (produção e organização), Berro (edição), Moby Estúdio (arte e motion design)