Durante a COP30, na Amazônia, essa pergunta ganhou forma em um encontro que reuniu parceiros da UFPA, UNAMA e Fundação Böll. Mais do que um debate, o evento Sabores do Futuro propôs uma experiência: pensar a alimentação como ponto de partida para imaginar outros caminhos possíveis.
A iniciativa parte do projeto Futuros Positivos, que articula experiências agroecológicas em diferentes países. No encontro, essas práticas foram colocadas em diálogo a partir da gastronomia — não apenas como técnica, mas como linguagem capaz de conectar territórios, culturas e formas de viver.
Ao longo da programação, projetos foram apresentados, mas também vividos. Preparos com insumos locais, agricultura orgânica e saberes ancestrais ocuparam o centro da experiência. Nesse contexto, ganhou força uma ideia simples, mas potente: a de que o próprio território pode sustentar sua alimentação. Uma lógica que valoriza o que é produzido localmente, respeita os ecossistemas e propõe uma relação mais direta entre produção, cultura e consumo.
Essa perspectiva aponta para um caminho que se contrapõe à indústria alimentar e à lógica dos ultraprocessados. Em vez de cadeias longas, padronizadas e desconectadas dos territórios, surgem práticas que partem do local, fortalecem economias regionais e produzem alimento com menos impacto ambiental e mais vínculo com quem consome.
Ao mesmo tempo, o encontro reforçou que essas iniciativas precisam ser fortalecidas — seja por meio de políticas, de circulação de conhecimento ou da criação de novos espaços de troca. São experiências que já existem, mas que ainda disputam espaço com modelos dominantes.
Mais do que um evento, o encontro funcionou como um espaço de articulação. Um momento para reconhecer práticas em curso e, a partir delas, ensaiar uma narrativa comum: a de que o futuro também se constrói a partir do que se planta, se prepara e se compartilha.