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Violência Política na Baixada Fluminense e na Baía da Ilha Grande

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Dando continuidade e ampliando a última edição do estudo, que foi lançado em 2021, os pesquisadores analisaram casos de violência cometidos contra políticos e ativistas nas regiões da Baixada Fluminense e Baía da Ilha Grande entre janeiro de 2021 e junho de 2022. Dos 31 casos de violência política mapeados pelo levantamento, 28 foram cometidos na Baixada Fluminense e 3 na região de Ilha Grande. 

A pesquisa analisou diferentes modalidades de violência política. Foram mapeados: 12 casos de execução sumária; 7 casos de atentados contra a vida; 6 casos de ameaça; 1 caso de invasão de espaço político; 1 caso de atentado; 1 caso de ferimento à bala; 1 caso de depredação de espaço político; 1 caso de violência política de gênero; e 1 caso de disparo de arma letal contra manifestação política no período. 

Cerca de 23 dos 31 ataques foram praticados com armas de fogo. Todas as execuções ocorreram na Baixada Fluminense. Isto significa que houve pelo menos 1 assassinato político a cada 45 dias na Baixada, considerando o período de 18 meses analisado na pesquisa. 

O município líder em número de casos de violência política foi Duque de Caxias que contabilizou 10 ataques, seguido por Nilópolis com 4 ocorrências. Logo atrás vem as cidades de Nova Iguaçu, São João de Meriti e Itaguaí. 

A maior parte dos casos indica a existência de uma articulação das disputas políticas locais com conflitos envolvendo redes criminosas. Os territórios controlados por milícias tiveram amplo destaque nesse sentido, especialmente na Baixada Fluminense. Dos 31 casos de violência política mapeados, 13 foram cometidos em áreas de milícia, 9 deles foram execuções. 

O estudo usou como metodologia o levantamento de casos de violência política em jornais, pesquisas complementares na internet, entrevistas e monitoramento e análise das mídias sociais de políticos que atuam na área da segurança pública nas regiões estudadas. 

Em suma, a pesquisa demonstra que a violência é um fator fundamental de estruturação e regulação das relações de poder nas regiões analisadas. Ao organizar tanto os mercados eleitorais quanto a entrada nas instituições políticas municipais, a sua persistência evidencia a fragilidade dos padrões políticos de democracia. A pesquisa apresenta, por fim, um conjunto de recomendações para a reversão dos processos de violência política instalados na Baixada e na Baía da Ilha Grande. 

Detalhes da publicação
Data da publicação
Setembro de 2022
Editor/a
Observatório de Favelas
Número de páginas
179
Licença
All rights reserved
Índice

06 - Introdução
15 - Monitoramento de casos de violência política na Baixada Fluminense e na Baía da Ilha Grande
16 - Quadro geral da violência letal intencional na Baixada e na Baía da Ilha Grande
23 - Panorama geral dos casos
36 - Perfil das vítimas
43 - Atuação política
47 - As muitas faces da violência política
51 - Violência no cotidiano da política
82 - Interseccionalidade e violência política: racismo institucional, misoginia e partidos políticos
97 - Estratégias para lidar com a violência
98 - A construção da democracia passa por mulheres negras no poder
102 - Violência como plataforma política
103 - Escopo e objetivos do mapeamento
105 - Características gerais do uso das redes sociais no Brasil
110 - Tipologia de perfis: falando de segurança pública nas redes sociais
124 - A violência como política
128 - Violência política e estruturas de poder antidemocráticas
129 - Notas básicas sobre democracias e alguns de seus modelos
134 - O marco constitucional e seus limites
137 - Democracia na Baixada Fluminense e na Baía da Ilha Grande: notas sobre a dura interpelação empírica
143 - Democracia e cultura da resistência
148 - Considerações finais e recomendações
153 - Nota metodológica
161 - Referências
172 - Anexos