“Conversas com a Böll” debate o futuro da democracia brasileira

 A primeira live desta edição do ‘ Conversas com a Böll: Olhando para o futuro’ foi na quinta-feira (01) e o debate girou em torno da pergunta: “Como lutar contra um projeto autoritário de poder?”. Marcos Nobre, autor do livro Ponto Final - A guerra de Bolsonaro contra a democracia’, disse que acredita fortemente em duas teses sobre o próximo ano da política nacional. Segundo Nobre, uma nova janela de oportunidade para oposição ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) pode se abrir, levando ao afastamento do presidente. Além disso, o desemprego, as consequências econômicas e sociais da pandemia da Covid-19 no Brasil deste ano serão sentidas mais fortemente a partir do ano que vem. Isso seria a gota d’água para a abertura do pedido de impeachment contra o atual presidente.  

apoiadores bolsonaristas em frente ao Palácio do Planalto

Além do professor e filósofo, a mesa virtual de debate recebeu Tatiana Roque, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e vice-presidente da Rede Brasileira de Renda Básica. Tatiana é membra do partido de esquerda PSOL e foi candidata a deputada federal nas eleições de 2018, obtendo a suplência do partido. Tatiana ressalta que parte da esquerda brasileira acredita que Bolsonaro é uma continuação do projeto neoliberal que gerou o teto de gastos e as reformas trabalhista e previdenciária, representado pelo governo de Michel Temer depois do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, entretanto, o projeto de Bolsonaro é ainda mais grave, pois está pautado no que alguns teóricos chamam de “democratura”- uma democracia com fortes laivos de ditadura. Tatiana afirmou que “a gente não pode ver essa aliança como monolítica, essa aliança entre os neoliberais e o Bolsonarismo. Como o Bolsonarismo é muito pior, a gente vai precisar engolir um Governo de transição, caso a gente consiga o impeachment, em que haja sim espaço para os militares e para os evangélicos e para outros setores reacionários, conversadores e de direita. Não tem como fugir disso. É trágico!”, exclamou Tatiana. 

Os convidados do debate concordaram na questão econômica, já que o populismo de Jair Bolsonaro está em contradição com a austeridade do ministro da Economia Paulo Guedes. O Governo Federal não vai conseguir pagar o auxílio emergencial sem derrubar o teto de gastos, uma das principais promessas que mantém o apoio, já enfraquecido, da elite empresarial brasileira ao presidente. “Será que a direita democrática (liberal) brasileira está mesmo abandonando o barco deste Governo por tantas trapalhadas e ataques diretos à democracia?”, se perguntavam os espectadores e seguidores nos comentários das redes sociais durante o evento. 

Os três participantes do Conversas com a Böll: Tatiana, Verônica e Marcos

Verônica Ferreira, pesquisadora e coordenadora do SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia e militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco/Articulação de Mulheres Brasileiras, afirmou não ter dúvidas de que precisamos enfrentar o projeto autoritário de Bolsonaro e construir uma frente com todas as forças progressistas para derrubar este Governo, de discordância dos demais debatedores: “Mas a gente tem que considerar o lado de lá, considerando nossa história recente, inclusive de um golpe, não podemos subestimar a força da direita brasileira. Bolsonaro representa em si uma grande ameaça.”, declarou Verônica já em um momento mais acalorado do debate. 

A moderação da mesa virtual foi feita pela Coordenadora de Direitos Humanos da Böll, Marilene de Paula, e pela diretora da Fundação, Annette von Schönfeld. Você ainda pode conferir o conteúdo completo da Live Conversas com a Böll no YouTube da Fundação Heinrich Böll Brasil.