Vila União em Curicica na mira das remoções na “cidade olímpica"

Vila União em Curicica na mira das remoções na “cidade olímpica"

Largo do Campinho, comunidade da zona oeste carioca extinta em 2011 para a passagem da Transcarioca
Largo do Campinho, comunidade da zona oeste carioca extinta em 2011 para a passagem da Transcarioca — Créditos da imagem

Comunidades do Campinho, Metrô-Mangueira e Vila União em Curicica e Vila Recreio II, apesar de localizadas em zonas diferentes da cidade do Rio de Janeiro, têm algo em comum: estavam na rota de remoções traçada pela prefeitura para efetuar reformas na cidade em sua preparação para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. A Vila União de Curicica, localizada na zona oeste do Rio, a menos de um quilômetro da área planejada para o Parque Olímpico, ainda sofre com o processo, e se não fosse a resistência dos moradores, seria palco da maior remoção da cidade desde 2009, segundo o Comitê Popular¹.

Na última terça-feira (26/05), aconteceu na Alerj uma audiência pública para discutir as remoções na Vila União. Segundo o Comitê Popular da Copa e das Olímpiadas do Rio de Janeiro, a audiência foi marcada por muitas irregularidades, como o impedimento ao livre acesso à audiência, o que fere o seu caráter público; falas restritas aos moradores, silenciando os coletivos e movimentos sociais presentes; a postura autoritária do coordenador da audiência, o deputado Paulo Ramos (PSOL), durante a moderação das falas; e a presença do ex subprefeito da Barra, o deputado Tiago Mohamed, que não tem mais vínculo com as discussões sobre o BRT Transolímpico e as remoções na comunidade. Uma nova audiência será marcada com a presença de representantes da prefeitura para se tentar uma nova negociação. (leia aqui a nota na íntegra do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro)

Matéria da TV Alerj sobre a audiência

Entenda o caso 
Em 2012, a comunidade de Vila União foi uma das áreas contempladas no programa Morar Carioca da prefeitura para urbanizar áreas carentes da cidade. Dois anos depois, suas casas começaram a ser marcadas para remoção visando possibilitar a construção da Transolímpica, a via expressa que ligará a Barra da Tijuca, local da vila dos atletas, a Deodoro, onde muitos eventos olímpicos se darão. 
Em dezembro de 2014, o Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro realizou uma missão na Vila União para verificar as denúncias de violações do direito à moradia na comunidade e publicou esses dados num documento oficial: o Dossiê sobre as violações ao direito à moradia na Vila União de Curicica. Após esse episódio, o número planejado de remoções diminuiu de 876 para 181 famílias.

Mas em Vila União o drama das remoções continua, uma vez que esse número já subiu para 304 famílias divulgado pela Prefeitura em março desse ano, e moradores especulam que serão muito mais². O círculo de violações ao direito à cidade e remoções forçadas no contexto dos megaeventos se repete, denunciando um modelo de cidade que a título de uma reforma que visaria melhorias coletivas, oprime os mais frágeis.

Acesse o Dossiê sobre as violações ao direito à moradia na Vila União de Curicica.

Confira também o Dossiê do Comitê Popular que analisa os impactos dos megaeventos na vida dos camelôs do Rio de Janeiro.

Veja o mapa das remoções produzido pela Fundação Heinrich Böll para o dossiê Copa para quem e para quê.

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