“Mudemos o sistema, não o clima!”

“Mudemos o sistema, não o clima!”

Começou a Cúpula dos Povos frente às mudanças climáticas Começou a Cúpula dos Povos frente às mudanças climáticas. Creator: José Elosegui. All rights reserved.

Com o tema “Mudemos o sistema, não o clima!”, começou hoje, em Lima, Peru, a Cúpula dos Povos frente às Mudanças Climáticas. O evento segue até dia 11 de dezembro com a estimativa de oito mil participantes e mais de 200 organizações do mundo todo.  A cúpula é paralela a 20ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP20),  iniciada no dia 1º também na capital.

A Cúpula dos Povos é uma articulação social que promoverá cerca de 200 atividades sobre oito eixos temáticos. Serão apresentados modelos alternativos de vida social, reflexões sobre o trabalho digno versus economia verde. As mulheres e a sustentabilidade também serão tema dos painéis, além de soberania alimentar , transição energética e aquecimento global, entre muitas outras questões. 

No dia 10 está prevista a Marcha Mundial em Defesa da Mãe Terra que acontecerá em Lima e em outras cidades. Já no último dia do evento, as conclusões do encontro serão entregues aos representantes da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Fundação Heinrich Böll está presente na Cúpula e preparou diversas publicações que podem contribuir com as discussões:

“Nova Economia da Natureza” – livro de Thomas Fatheuer apresenta uma introdução e esclarece conceitos ligados a monetarização da natureza.

“REDD no Brasil: dois estudos de caso” – publicação em inglês de Jutta Kill que apresenta as contradições de dois projetos de compensação de emissão de gás carbônico no Brasil: Guaraqueçaba no Paraná e o Corredor Monte Pascoal Pau Brasil

“Reflexões sobre a Financeirização da Natureza” - Barbara Unmüßig apresenta em dois artigos os processos que envolvem a monetarização da natureza e bioeconomia.   

Segundo a coordenadora do Programa de Justiça Socioambiental da Fundação, Maureen Santos, a organização e parceiros como o Grupo Carta de Belém analisarão e participarão de debates sobre o mercado de carbono, pagamentos por serviços ambientais (PSA) e em geral, a financeirização da natureza. O Carta de Belém, a Fundação e parceiros tem um posicionamento crítico à esses mecanismos de mercado e constroem alternativas  para eles baseadas na promoção da agroecologia e defesa de comunidades tradicionais e seus territórios. Além disso, para Maureen, a Cúpula e a COP20 são momentos que podem fortalecer a convergência dos movimentos sociais, grupos e organizações, principalmente da América Latina para se prepararem para a COP21 em Paris onde deve ser feito um novo acordo sobre a redução de gases de efeito estufa, que deve entrar em vigor em 2020.

A COP20

A Convenção Marco das Nações sobre a Mudança Climática foi instalada em 1994 com o objetivo de reduzir a emissão de CO2 na atmosfera. Uma vez por ano há uma Conferência das Partes (COP) em países-sedes diferentes (em 2013, foi em Varsóvia, na Polônia) que buscam examinar a aplicação das resoluções da Convenção, abrindo negociações entre os países e firmando novos compromissos. A 20ª edição da COP segue até dia 12 com a participação de mais de 10 mil pessoas de 195 países.

 

 

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