Sabores do Futuro (UNAMA)
Futuros positivos e a COP30
Memória do evento
Álvaro Negrão do Espírito Santo é professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e referência em turismo sustentável e gastronomia amazônica. Com trajetória acadêmica e institucional consolidada, atua na formação de profissionais e no desenvolvimento de políticas públicas para o setor. Já ocupou cargos estratégicos na gestão do turismo no Pará e integra entidades como a Academia Brasileira de Gastronomia, contribuindo para a valorização da cultura e da bioeconomia amazônica.
No evento, busquei destacar a gastronomia como ferramenta de valorização dos territórios e dos ecossistemas locais, a partir de uma experiência prática com cozinheiras das ilhas do Combu e Cotijuba. Trabalhando com insumos orgânicos e agroecológicos, mostramos como é possível desenvolver a gastronomia respeitando o que é da região, com insumos locais, que não vêm da indústria da alimentação e cujo consumo é próprio daquele território — comida da Amazônia feita para amazônidas. O grande recado foi que é possível fugir do consumo de ultraprocessados.
Também trouxe a reflexão de como a gastronomia pode ajudar no contexto global de preservação do futuro da humanidade. A gastronomia é parceira desse processo. A forma como a indústria produz alimentos hoje está ligada ao aumento de emissões e a prejuízos à saúde. Trabalhamos na perspectiva de um caminho que pode melhorar as condições de vida no futuro — seguir na direção oposta é caminhar para o desastre.
Ficou evidente que esse é um campo em disputa, que exige fortalecer iniciativas, ampliar o acesso à informação e criar mais espaços para sustentar e expandir essas práticas.
Yamila Alves é nutricionista (UFPA) e Gastrologa (Unama) Mestre em ciência e tecnologia de alimentos (UFPA), Coordenadora e Professora Universitária dos Cursos de Nutrição e Gastronomia (Unama), fiscal da vigilância Sanitária da Secretaria Municipal.
No evento, busquei apresentar a força da nossa culinária e mostrar as possibilidades de trabalhar a gastronomia a partir da agricultura orgânica. A proposta foi valorizar preparos ancestrais e produtos locais, reforçando que é possível construir uma alimentação mais saudável, sem agrotóxicos e contaminantes, conectada aos territórios.
Durante o encontro, oferecemos preparações ao público como forma de aproximar essas práticas do cotidiano. Um dos exemplos foi a realização de uma oficina de massala, voltada à produção de temperos naturais a partir da agricultura familiar, sem aditivos químicos. A atividade reforçou a importância de resgatar saberes culinários e ampliar o acesso a formas mais saudáveis e sustentáveis de alimentação.