O tema da violência contra as mulheres tomou o noticiário nacional, um feito, já que há bem pouco tempo a violência contra nós era ignorada solenemente. Só pé de página de jornal ou aqueles casos com grande repercussão que entravam nas editorias.
Para falar de números, segundo relatório da UNODC-ONU e ONU Mulheres, em 2024, no mundo 50 mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou familiares, uma a cada 10 minutos. O Brasil segue como um dos mais violentos. Só em 2025, foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, destes atingindo 62,6% de mulheres negras. Os dados divulgados pelo Fórum de Segurança Pública trazem também outra análise que aponta um padrão recorrente: de 5.729 casos entre 2021 e 2024 apenas 4,9% dos autores eram desconhecidos. Familiares, companheiros e ex-companheiros são os agressores, e esses são os dados de morte, fora as agressões, ameaças e violência extrema que levam mulheres às casas de abrigo, tentando se proteger dos agressores ou permanecem durante anos sendo vitimizadas por esses homens.
Na esteira das reinvindicações para mudar essa realidade a atualidade mostra um outro chamamento: os homens devem se posicionar. Esse pedido é antigo, só que agora não é mais silencioso ou de um pequeno grupo de mulheres. Na contramão cresce o movimento incel e red pill nas redes: “nosso poder está sendo ameaçado então vamos enfrentar com violência, entre nós, para nós e contra as mulheres,” dizem eles. Importante notar o poder dos algoritmos nesse processo, que hoje constroem identidades.
Ao mesmo tempo, segue um ataque sistemático da extrema direita de colocar feministas e ativistas pela autonomia e liberdade das mulheres como inimigas, inclusive em seus trabalhos de formação e ativismo nos territórios periféricos.
Novas legislações ao longo dos anos foram sendo aprovadas para proteger as mulheres, um reconhecimento do tema e da luta: a icônica Lei Maria da Penha, a contra importunação sexual, a mais nova, contra a misoginia. Mas qual política pública está sendo feita nas escolas, com meninos e meninas? Qual diretriz dentro do funcionalismo público? É assim, fazendo perguntas que a luta avança, dentro das casas, nas instituições, nas discussões nos espaços públicos, na conversa do bar. É difícil, mas não é impossível. Qual sua contribuição para essa luta hoje? Que tijolinho nessa luta você está doando para coibir a violência?