MAPA HISTÓRICO DOS GRUPOS ARMADOS 2025
Desde 2018, o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF) e o Instituto Fogo Cruzado (IFC) desenvolvem conjuntamente o Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro (MGA), um projeto coletivo e transdisciplinar dedicado a compreender o controle e a influência de grupos armados sobre territórios e populações na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A pesquisa investiga a atuação de facções do tráfico de drogas — como Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Amigos dos Amigos — e das chamadas milícias em favelas, conjuntos habitacionais e sub-bairros. Nessas áreas, esses grupos exercem poder sobre territórios e atividades econômicas, controlando serviços e mercados legais e ilegais por meio de coerção e violência. Para muitos moradores, isso significa conviver com extorsões, ameaças, expulsões, agressões e, frequentemente, com confrontos armados entre grupos rivais ou durante operações policiais.
A nova versão do mapa apresenta avanços metodológicos e analíticos que buscam tornar a compreensão desse fenômeno mais precisa. A base de dados utilizada reúne denúncias anônimas registradas no Disque Denúncia, que oferecem grande detalhamento geográfico e temporal sobre a atuação de facções e milícias. A partir dessas informações, os pesquisadores desenvolveram novos procedimentos de classificação e validação dos dados, com parâmetros mais definidos e menor grau de arbitrariedade.
Entre as mudanças mais importantes está a distinção entre controle e influência exercidos pelos grupos armados sobre territórios e populações, permitindo análises mais refinadas das dinâmicas de poder. O estudo também diferencia duas formas de expansão desses grupos: a colonização, quando passam a atuar em áreas antes sem presença armada organizada, e a conquista, quando um grupo toma o território de outro.
Com essas ferramentas analíticas, o relatório examina a evolução do controle armado ao longo do tempo na Região Metropolitana, na capital fluminense e em áreas como Baixada e Leste Fluminense, identificando períodos de expansão e retração de milícias e facções. Ao mesmo tempo, busca compreender como essas dinâmicas se relacionam com características urbanas e sociais dos territórios, contribuindo para qualificar o debate público sobre um dos problemas mais persistentes da região.