A partir da chamada CPI das milícias, tornou-se conhecida a participação de agentes públicos nesses grupos criminais armados
Pesquisa

A expansão das milícias no Rio de Janeiro

uso da força estatal, mercado imobiliário e grupos armados
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Ao longo das últimas décadas, o poder armado das chamadas “milícias” sobre territórios, populações e mercados vem se expandindo na cidade do Rio de Janeiro e região metropolitana. Tal expansão tem contribuído para alterar a configuração dos conflitos entre grupos armados territoriais no Rio de Janeiro, que se tornaram ainda mais complexos, caracterizando um quadro volátil, não completamente estabilizado.

Se, antes, a questão criminal carioca e fluminen- se estava centrada nas disputas territoriais entre “comandos” ou “facções” do tráfico de drogas e os confrontos armados entre esses grupos de traficantes e a polícia, hoje o fenômeno das milícias parece ter crescido em importância. A fim de compreender os processos por meio dos quais as milícias ampliaram o seu poder, o presente estudo buscou formular instrumentos analíticos que permitissem conhecer melhor as bases políticas e econômicas desses grupos no município do Rio de Janeiro.

Foi tomado como referência o período de 2007-2020 –, de notável fortalecimento das milícias e de alcance dos dados levantados –, e utilizamos informações disponíveis em três bases de dados distintas: o Mapa dos Grupos Armados no Rio de Janeiro, a base de operações policiais do GENI/UFF e a base da Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU) referente aos licenciamentos e legalizações de edificações novas. Esta pesquisa resulta da articulação entre diferentes grupos de pesquisa com a intenção de produzir conhecimento qua- lificado a respeito dos efeitos da regulação estatal de mercados legais e ilegais sobre o fenômeno de expansão das milícias, visando, assim, subsidiar o debate público acerca das políticas de segurança pública e planejamento urbano.

Realização: Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF) e Observatório das Metrópoles (IPPUR/UFRJ)

Equipe: Daniel Veloso Hirata, Adauto Cardoso, Carolina Christoph Grillo, Orlando Santos Jr., Diogo Lyra, Renato Dirk, Rodrigo Ribeiro, Daniela Petti e Júlia Sampaio

Apoio:

Fundação Heinrich Böll

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Parceiros: Fogo Cruzado; Disque-Denúncia; Núcleo de Estudos da Violência (NEV/USP) e Pista News

 

Detalhes da publicação
Data da publicação
20/04/2021
Editor/a
Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF) e Observatório das Metrópoles (IPPUR/UFRJ)
Número de páginas
38
Licença
Idioma da publicação
Português
Índice

01 - Metodologia

02 - Grupos Armados e Operações Policiais

- As vantagens e desvantagens político-coercitivas dos grupos armados

- Operações policiais e (des)controle do crime

03 - Grupos Armados e Atividade Imobiliária: o Urbanismo Miliciano

- Milícias e o Programa Minha Casa Minha Vida: um olhar qualitativo

- Milícias e o mercado das construções irregulares 

04 - Conclusão