O grão que cresceu demais

O grão que cresceu demais

22 maio 2014 por Sergio Schlesinger

Ao publicar este livro, a FASE pretende convidar a sociedade brasileira a debater um tema crucial para o futuro do nosso país. A expansão da soja nos interpela em diversas dimensões. Trata-se de um sistema de produção baseado em monoculturas, na concentração fundiária, no uso de agrotóxicos, fertilizantes, herbicidas e cada vez mais em transgênicos. Trata-se da aposta em um modelo de agricultura voltado para a exportação, que gera poucos empregos, que expulsa e esvazia a produção de alimentos voltada ao abastecimento do mercado interno, e cuja cadeia produtiva é cada vez mais dependente de grandes corporações transnacionais como a Cargill e Bunge. Trata-se de uma produção que gera divisas para equilibrar o saldo da balança comercial e, com isso, dar sustentação ao modelo econômico em curso.

A FASE atua contra este modelo em diversos níveis. Atua em locais onde o agronegócio exportador extrai e expande seus lucros, como no Mato Grosso e no Pará. No Mato Grosso, a rápida expansão da soja nos anos recentes ocorre de mãos dadas com a reciclagem do latifúndio, que concentra terras, privatiza recursos e estende seu poder também na política. No Pará, em regiões como a de Santarém, a expansão da soja, facilitada pela BR-163, que liga Cuiabá a Santarém, se alastra e deixa um rastro de destruição em comunidades tradicionais e nas economias locais que funcionavam fundadas na produção, consumo e comercialização da vasta diversidade amazônica.

A atuação e as parcerias locais da FASE se combinam com a participação em fóruns, redes e outros coletivos nacionais e internacionais que compartilham a luta contra este modelo. Este livro é uma contribuição a esta luta, que se soma a inúmeras outras iniciativas desenvolvidas nessa mesma direção por nossos parceiros. A FASE deseja que este conjunto de iniciativas possa fazer avançar as propostas de um outro modelo, baseado na diversificação produtiva, no fortalecimento econômico e político dos camponeses e agricultores familiares, na agroecologia e que, enfim, garanta o direito à segurança e soberania alimentar no Brasil e no mundo.

Fátima Mello
Diretora de Relações Internacionais da FASE

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