Cartografia Social Urbana: impactos do desenvolvimento e da violência institucional na vida das mulheres moradoras do Caju e de Manguinhos/ Rio de Janeiro

FASE
Place of publication
Rio de Janeiro
Date of Publication
2015
Number of Pages
36
Licence
Language of publication
Português
ISBN / DOI
978-85-86471-83-4

Esta publicação é o resultado do trabalho de moradores dos Complexos de Favelas do Caju e de Manguinhos, de educadoras populares, militantes e pesquisadoras de organizações acadêmicas e de defesa dos direitos humanos que se reuniram ao longo de 2014 para debater, analisar e buscar meios de combater a violência institucional cometida conta as mulheres.

Nós, envolvidas na mobilização para produzir conhecimento e fortalecer a luta, como vocês poderão conferir na leitura, alimentamos nossas práticas com uma análise crítica da realidade, contribuindo com a organização daquelas que têm seus direitos violados. Com esses princípios comuns, desenvolvemos um processo coletivo de diálogo, análise e escuta, a partir da aplicação da metodologia da autocartografia, com destaque às narrativas e percepções das mulheres que moram nesses locais de conflito e sofrem diferentes formas de violações de direitos.

Os objetivos desta publicação são ao menos dois: aproximar leitoras e leitores dessa experiência que mobilizou mulheres com perspectivas, vidas e saberes tão distintos, mas que olham para a mesma questão – a luta pela garantia de direitos; e estimular outras mulheres, que passam por situa- ções semelhantes, a se mobilizarem, a difundirem criticamente suas vivências e se juntarem para reverter opressões.

O nosso esforço é o de tentar descrever como foi a elaboração da autocartografia, a dinâmica das oficinas, os conteúdos expostos, as falas, os principais conflitos, a dor e a violência que resultam dessa forma de produ- ção das cidades, que tem eliminado o interesse público para dar lugar aos interesses privados de grupos econômicos.

Vale ressaltar o quanto é desafiador abarcar sentimentos, reflexões e narrativas, expostas durante as atividades da autocartografia, de pessoas de diferentes espacialidades e visões de mundo, mas que se indignam pelas mesmas questões. Há o olhar daquelas que vivem nas favelas e sofrem no corpo e na alma as marcas da violência institucional. E há o olhar daquelas que não moram em favelas, mas que também se deparam com a violência institucional no cotidiano ou como pesquisadoras e militantes defensoras dos direitos humanos. São perspectivas que se cruzam e se complementam para dar força à mobilização contra a violência que se expressa muitas vezes tragicamente nos territórios, sobre as nossas vidas e na vida de tantas outras mulheres.

Uma boa leitura e que ela possa suscitar boas reflexões, novas lutas e muitas vitórias!