Salvem os Gamela

Salvem os Gamela

Salvem os GamelaCreator: foto: Cimi. Creative Commons License LogoEsta imagem está sobre licença de Creative Commons License.

No último domingo (30/4), a serviço de fazendeiros locais, homens armados atacaram indígenas da etnia Gamela, no município de Viana, interior do Maranhão. Os índios não esperavam o ataque, e não puderam se defender. Pelo menos 13 ficaram feridos, alguns de forma grave. Cinco foram baleados, e há denúncias de que mãos teriam sido decepadas. A área é objetivo de conflito há pelo menos três anos – fazendeiros querem estabelecer o controle do local (acesse aqui a mais informações no site do CIMI).

Neste contexto, os Missionários Combonianos, que atuam no local, publicaram esta nota onde descrevem a gravidade da situação, e fazem reivindicações. Entre elas, a ampla investigação do caso, a intervenção da Polícia Federal em defesa dos Gamela, e a instalação de um grupo de trabalho pela Funai. Leia o conteúdo completo da nota:

ESTAMOS ARRANCANDO NOSSO FUTURO

Nota dos Missionários Combonianos sobre a violência contra o povo Gamela

Os Missionários Combonianos do Brasil repudiam o ataque brutal contra o povo indígena Gamela, que provocou 13 feridos, dois em estado muito grave, no município de Viana-MA.

Há anos atuamos no Maranhão em defesa dos povos indígenas e, através da rede Justiça nos Trilhos, assessorando comunidades e povos atingidos pelos grandes projetos de mineração. Junto à CPT, ao CIMI e a diversas entidades e movimentos sociais, denunciamos o aumento da violência no campo.

Crescem de maneira descontrolada: criminalização, execuções sumárias, “limpeza do território” intimidando as comunidades locais e afastando-as de regiões visadas pelo grande capital, por fazendeiros, madeireiros e megaprojetos extrativos. Paralelamente, há um desmonte do Estado de direito nessas periferias do País. FUNAI e INCRA estão cada vez mais fragilizados e inativos; do Governo Federal vêm sinais de flexibilização das leis ambientais e de progressivo desamparo dos povos tradicionais.

A impunidade dos crimes contra defensores de direitos humanos reforça um clima de imposição violenta dos interesses dos mais fortes, vingança e pistolagem. As comunidades que tentam defender suas raízes, tradições ancestrais e vínculos com o território – lembremos entre outros no Maranhão a luta orgulhosa por demarcação das terras quilombolas, os guardiões da floresta Ka’apor, a resistência da comunidade de agricultores e pescadores de Cajueiro – são desamparadas pelo poder público e desvalorizadas em seu esforço de afirmação cultural e étnica. Os povos indígenas são solução, e não entrave ao desenvolvimento do País!

Em sintonia com inúmeras entidades e organizações do Maranhão, do Brasil e do mundo estarrecidas por esse aumento da violência, participando hoje também da audiência pública convocada na capital do Maranhão na sede da OAB, como Missionários Combonianos solicitamos urgentemente:

- investigação por autoridades federais, com prioridade de tramitação, acerca dos crimes e punição a todos os responsáveis pelos fatos, incluindo o incentivo à violência pelo deputado federal Aluisio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA) e investigação independente sobre eventuais responsabilidades da Polícia Militar do Estado do Maranhão e sua posição durante o conflito entre fazendeiros, jagunços e indígenas;

- intervenção da Polícia Federal para garantir proteção aos índios Gamela; - a prestação de assessoria jurídica gratuita às vítimas; - imediato oferecimento dos serviços públicos de proteção a vítimas e testemunhas e de defensores/as ameaçados;

- instalação pela FUNAI de um Grupo de Trabalho para a identificação e demarcação do território tradicional Gamela; - instalação de uma força-tarefa permanente, com participação do Governo do Estado, da FUNAI, do INCRA e demais órgãos federais para retirada de posseiros e supostos proprietários de terra na região que será demarcada;

 - denúncia do caso à Relatora da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas e ao Fórum Permanente de Assuntos Indígenas das Nações Unidas, através da Rede Eclesial Panamazónica e do CIMI, atualmente reunidos em New York com uma delegação de representantes de povos indígenas do Brasil;

 - acompanhamento permanente da sociedade civil e da aliança interétnica dos povos indígenas do Maranhão a esse conflito. São Luís do Maranhão, 02 de maio de 2017

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