Comércio de carbono resulta em reduções pouco expressivas, diz Maureen Santos ao Jornal Futura

Comércio de carbono resulta em reduções pouco expressivas, diz Maureen Santos ao Jornal Futura

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Coordenadora de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll Brasil e membro do Grupo Carta de Belém, Maureen Santos falou ao Jornal Futura sobre as expectativas da COP 21. O programa, que foi ao ar dia 27 de agosto, tinha como tema a sustentabilidade e a educação ambiental.

– Esse ano tem uma grande expectativa, diferente do que aconteceu na COP 15, em Copenhague, porque, como o processo agora é feito através das contribuições nacionais, os países já estão anunciando o que eles vão se comprometer num possível acordo em Paris no final do ano – explicou Maureen – Pelo menos os países desenvolvidos já apontaram quais seriam esses cortes de emissão e também medidas de adaptação.

Em sua participação, Maureen destacou que, paralelamente às metas de redução de emissão de gases de efeito estufa, existe um mecanismo de flexibilização: o mercado de carbono oficial, que permite a compra e a venda de créditos de não-emissão entre os países. Isso significa que um país em desenvolvimento, por exemplo, pode continuar emitindo CO2 caso compre o “direito” de emissão de outro país que ainda possua créditos.

– Com isso você acaba fazendo uma compensação. Então não tem uma redução de emissões expressiva, já que você pode comprar crédito de outro lugar – afirmou a ambientalista.

Esse mecanismo está previsto no último acordo global para redução de emissões, o Protocolo de Kyoto. Firmado em 1997, o acordo estabeleceu metas de cortes diferentes para cada país, e obrigava apenas as nações desenvolvidas a segui-las. Para o novo acordo que pode vir a ser estabelecido durante a COP 21, o Brasil apresentou uma proposta chamada de “círculos concêntricos”. Segundo a pesquisadora, o plano consiste em estabelecer metas diferentes para os países, a serem adotadas com maior ou menor urgência, de acordo com seu nível de desenvolvimento. Assim, os mais desenvolvidos seriam os primeiros a assumir as metas, seguidos pelos emergentes e, por fim, pelos países em desenvolvimento ou de economias menores.

A Conferência do Clima da ONU reunirá representantes de 196 países em Paris, de 30 de novembro a 11 de dezembro. 

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