Organizações, movimentos sociais e comunidades preparam grande atividade sobre financeirização da natureza

Organizações, movimentos sociais e comunidades preparam grande atividade sobre financeirização da natureza

"O debate sobre financeirização da natureza 'é importante para a construção de resistências e também de promoção de alternativas nos territórios'.” – Creator: ConsFinance. Creative Commons License LogoEsta imagem está sob licença de Creative Commons.

Por José Elosegui

Publicado originalmente no portal da Rádio Mundo Real

De 24 a 27 de agosto deste ano será realizada em Belém do Pará a Conferência Latino-americana sobre Financeirização da Natureza, convocada pela Fundação Heinrich Böll Brasil junto a várias organizações e movimentos da região. Um dos primeiros objetivos da atividade será o de iniciar um processo de “sistematização e de síntese” dos debates e denúncias que vêm sendo feitas nos últimos anos pelas organizações em relação a este tema, segundo disse em entrevista a Rádio Mundo Real, Maureen Santos, coordenadora do Programa de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll Brasil.

Maureen, que também faz parte do Grupo Carta de Belém contou que a atividade a ser realizada em Belém faz parte de “um processo que já leva três anos de construção, convocado e no qual vêm fazendo parte várias organizações: Amigos da Terra da América Latina e Caribe, Marcha Mundial das Mulheres, Vía Campesina Brasil, Grupo Carta de Belém, Jubileu Sul Américas, ATTAC França, Transnational Institute e a Confederação Sindical das Américas”. Estas organizações também co-organizaram em dezembro de 2014, nos marcos das atividades paralelas àCOP 20 de Mudanças Climáticas em Lima, Peru, um seminário onde foram tratadas juntas as questões de financeirização da natureza e extrativismo.

Outro dos objetivos da Conferência será o de fortalecer alianças para construir estratégias de ação. Para Maureen, o debate sobre financeirização da natureza “é importante para a construção de resistências e também de promoção de alternativas nos territórios”. Em relação a essa perspectiva, a atividade em Belém não será apenas um seminário, mas contará com três caravanas a “comunidades que estão sendo atingidas por esse modelo de desenvolvimento”, que marcarão o início da Conferência.

Abaetetuba e Igarapé-Miri; Barcarena e região; e Acará, São Domingos do Capim e Concórdia do Pará, serão as três regiões por onde passarão as caravanas da Conferência sobre financeirização da natureza. Maureen explica o porquê de conhecer essas regiões: “cada uma delas tem alguns elementos em comum, como por exemplo o avanço de monocultivos de palma africana. E existem também experiências de introdução da agroecologia em comunidades quilombolas, lutas por demarcação de terras indígenas e quilombolas, experiências já de pagamento de serviços ambientais, especialmente na região de Abaetetuba, assim como resistências à indústria extrativa de alumínio e de carvão vegetal”.

Além de conhecer melhor a realidade de um território onde a economia verde está sendo introduzida com várias de suas faces, o objetivo das caravanas é que possa haver troca de experiências entre as comunidades e os integrantes de movimentos de outros países da América Latina (serão mais de 60 participantes do Brasil e de outros países da América Latina) que conhecem e sofrem realidades muito similares: “Não será uma visita, os debates da conferência vão começar ali, e os representantes das comunidades continuarão participando do seminário”.

Esses debates estarão atravessados por cinco eixos, sendo o primeiro deles a “perspectiva sistêmica”: “vamos ter ali uma análise global e regional frente à crise financeira internacional e sobre as negociações do clima e o que acontecerá na COP 21 de mudanças climáticas”, explica a organizadora.

“Arquitetura das finanças verdes das falsas soluções” será o segundo, e pretende analisar e denunciar as mudanças legislativas que estão permitindo que a economia verde avance em diversos países. A descrição e análise dos atores (corporações, Estado, ONGs internacionais) que fazem parte destes processos estarão contidas no eixo “Espaços de poder”.

O quarto eixo será sobre “Os impactos da financeirização dos territórios”, onde será tratada a “venda dos bens comuns, e também a possessão das terras, o impacto na vida das mulheres, a criminalização dos movimentos sociais, entre outros temas”. O eixo final, conforme explica Maureen será o de “Alternativas e soluções desde os povos”, para debater e compartilhar práticas de resistências e alternativas que vêm acontecendo em todos os países e que podem ser replicadas na região.

 

Rádio Mundo Real fará uma cobertura especial da Conferência Latino-americana sobre Financeirização da Natureza junto à Convergência de Comunicação dos Movimentos Sociais.

Ouça aqui a entrevista na íntegra com Maureen Santos.

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    por Manoela Vianna

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